Para começar a falar do Brasileirão de 2009, nada mais justo do que começar pela parte de cima da tabela. Neste post: a luta pelo título, vagas na Libertadores, apagões, uma surpresa e o pentacampeonato do Flamengo.
No sétimo campeonato brasileiro por pontos corridos, enfim alguma emoção na última rodada. Pela primeira vez desde 2003 (quando começou esse sistema infeliz), quatro times chegaram à rodada final com chances de ser campeões. Só o Flamengo dependia apenas de si e não decepcionou: conquistou seu quinto título brasileiro e quebrou uma hegemonia que durou a década quase toda – de 2001 pra cá, os times de São Paulo só não conquistaram o título em 2001 e 2003.
O Flamengo, que dispensou o Cuca no meio do campeonato e acabou efetivando o Andrade, conseguiu uma recuperação espetacular – e inesperada. Adriano chegou no fim do Carioca, mas só começou a jogar no meio do ano, em clima de desconfiança (tinha chegado a cogitar sua aposentadoria no início do ano, depois de sumir do mapa por uns dias). Petkovic aos 78 anos, andando com auxílio de uma bengala, foi contratado como parte da negociação de uma dívida que o clube tinha com o sérvio. Porém, o Fla começou a embalar mesmo quando chegaram Álvaro e Maldonado, que deram maior consistência à defesa, estabilizando o time no campeonato (ainda que Maldonado se lesionasse já no final do campeoanto). Como resultado, o Fla passou a vencer jogos importantes (em casa e fora) e arrancou para o título, liderando apenas nas duas últimas e decisivas rodadas. No fim das contas, Adriano e Pet são considerados dois dos maiores destaques do campeonato. Além, claro, do autor do gol do título Ronaldo Angelim.
Favorito ao título no início do ano, o Internacional sentiu muito a saída do Nilmar para o Villarreal na janela de transferências do meio do ano e acabou perdendo o gás no segundo turno, mesmo com os gols de Alecsandro. Mesmo assim, chegou à última rodada com boas chances de título. Aliás, não tão boas, já que dependia de uma vitória do rival Grêmio sobre o Flamengo no Maracanã. Rá! Os dois pontos que o Inter perdeu no empate em 0x0 contra o Fla no Beira-Rio em um jogo que não aconteceu (o campo virou uma piscina por causa da forte chuva que caía) acabaram fazendo falta e o Inter acabou ficando com o vice (pela quinta vez no brasileiro). Em tempo, falha do árbitro que deixou aquele jogo acontecer.
Sem o capitão Rogério Ceni na maior parte do campeonato, o São Paulo fez um campeonato sem grandes brilhos (como a torcida gostaria), mas mesmo assim ficou com o terceiro lugar. Muito se diz que o São Paulo perdeu o título na derrota para o Botafogo no Engenhão, mas dá pra considerar a derrota para o Atlético Mineiro e o empate com o Coritiba, ambos no Morumbi, muito mais impactantes. O time melhorou depois que o Ricardo Gomes assumiu no lugar do Muricy, mas ainda ficou longe de ser um time que encantasse.
O Cruzeiro, que frequentava as últimas posições no primeiro turno do Brasileiro (muito por poupar seus titulares pra jogar a Libertadores), conseguiu uma arrancada espetacular no segundo turno, ganhando o título simbólico deste. Com isso, Adilson Batista garantiu sem emprego pro ano que vem, que já estava bastante ameaçado depois da derrota para o Estudiantes na final da Libertadores. Com a quarta colocação, a Raposa joga a pré-Libertadores, contra o Real Potosí. Detalhe que o “palmeirense” Kleber fez o gol que classificou o Cruzeiro pra Libertadores, deixando os “porco” de fora.
Fora da zona da Libertadores, três times merecem destaque.
O Palmeiras, que liderou por 19 rodadas, esteve no G4 por 32 rodadas… acabou em quinto. Sem Libertadores nem nada. Na mesma que times como Santos e Vitória. Campeonato frustrante pro Porco, que foi apontado o tempo todo como provável campeão brasileiro, mas que pode ser explicado por muitos fatores (dentro e fora de campo) que abalaram o Palmeiras. Depois eu vou falar melhor em um post mais específico, mas dá pra listar já a demissão do Luxemburgo, falta de confiança no Jorginho, lesões, presidente doidão… E acima de tudo, a desatenção do time na reta final do campeonato. Um ano conturbado pro Palmeiras…
Se ano passado alguém dissesse que o Atlético Mineiro, treinado pelo Celso Roth, disputaria o título brasileiro deste ano e ainda teria um dos artilheiros – que seria ainda o Diego Tardelli – quem não riria da cara do cidadão que falasse um absurdo desses? Pois é, aconteceu. Mas não durou muito, à exceção do artilheiro do campeonato Diego Tardelli (ao lado do Adriano, do Fla). No fim das contas, o Galo ficou em sétimo, o Celso Roth foi demitido depois de perder pro Corinthians de 3x0 em pleno Mineirão e o presidente do clube afirmou que o ano foi jogado no lixo. Acho que pra um time que lutou contra o re-rebaixamento ano passado, tá muito bom.
O terceiro é o Avaí, sexto colocado, melhor caçula do Brasileirão 2009. Um time sem grandes estrelas, mas muito bem armado pelo agora promissor técnico Silas. Pra se ter uma idéia, os grandes nomes do time foram o goleiro Eduardo Martini, o armador Marquinhos e o atacante Muriqui, que nunca tinha se firmado em time nenhum, além do volante Léo Gago, já contratado pelo Vasco. Um belo exemplo de time que subiu da segunda, manteve a base, se reforçou bem gastando pouco e se arrumou bem. Termina o campeonato melhor do que esperava (o objetivo era se manter na Série A) e volta no ano que vem como uma dúvida, já que o Silas, grande responsável pelo sucesso hula-hula, foi pro Grêmio.







